SAMU de Ponta Grossa pode ser 100% terceirizado e população teme colapso no atendimento
A vida do ponta-grossense pode estar por um fio. Os servidores concursados que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Ponta Grossa — técnicos de enfermagem, condutores socorristas, enfermeiros, médicos intervencionistas e auxiliares de limpeza — estão com os dias contados dentro do serviço.
Desde a criação do Consórcio Intermunicipal SAMU Campos Gerais (CIMSAMU), em 2018, os servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) foram cedidos ao consórcio. Agora, a devolução deles à FMS está cada vez mais próxima, levantando um alerta vermelho: quem perde é a população.
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O risco da terceirização
A medida abre espaço para a substituição dos concursados por trabalhadores terceirizados, geralmente contratados por menor custo. Mas o que parece economia no papel pode custar caro na vida real: profissionais sem experiência ou sem treinamento específico podem ocupar funções críticas, colocando em risco a qualidade e a segurança do atendimento.
“Estamos falando de equipes que atendem infartos, AVCs, traumas graves, acidentes com múltiplas vítimas. Não é qualquer profissional que está preparado para esse tipo de demanda”, alerta um servidor do SAMU, sob anonimato.
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Estrutura já está no limite
Hoje, o SAMU de Ponta Grossa conta com:
• 2 ambulâncias de suporte avançado (Alfa), com médico a bordo;
• 5 ambulâncias de suporte básico (Básica).
O problema: uma das viaturas Alfa já atua de forma intermunicipal, atendendo também as 3ª, 4ª e 21ª Regionais de Saúde. Na prática, isso deixa Ponta Grossa com apenas um médico para atender mais de 400 mil habitantes.
A pergunta que ecoa é: se o serviço for terceirizado, as duas viaturas Alfa poderão ser deslocadas para fora? E quem garante médico para os ponta-grossenses?
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Dados que preocupam
Segundo dados oficiais do CIMSAMU:
• Em 2022, foram 76.296 chamados registrados e 76.716 vítimas atendidas.
• Em 2023, esse número saltou para 95.669 chamados, crescimento de mais de 25%.
• Do total, 70,5% foram atendimentos clínicos, como infartos e AVCs — situações em que cada minuto é decisivo.
Com a demanda em alta e o risco de perda de profissionais experientes, a equação não fecha.
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Perguntas sem resposta
• Quem vai contratar e treinar os novos profissionais?
• Eles terão preparo técnico para atuar em atendimento móvel de urgência?
• Como ficará a cobertura médica de Ponta Grossa se as duas Alfas passarem a rodar em toda a região?
• A prefeitura e o CIMSAMU vão garantir transparência sobre o futuro do SAMU?
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A hora da sociedade
O SAMU é sinônimo de vida e segurança. É inadmissível que um serviço essencial, conquistado com tanto esforço desde 2005, seja colocado em xeque por falta de planejamento e transparência.
A sociedade, os órgãos fiscalizadores e a Câmara Municipal precisam agir agora para garantir que Ponta Grossa não seja deixada sem o socorro que salva vidas todos os dias.
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“O que está em risco”
• Técnicos de enfermagem com anos de experiência
• Condutores socorristas treinados para emergências críticas
• Enfermeiros e médicos intervencionistas
• Equipes de apoio e limpeza
Todos podem ser retirados do SAMU municipal
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“O tamanho do SAMU Campos Gerais”
• Mais de 1 milhão de habitantes atendidos
• Presença em 28 municípios
• Mais de 500 profissionais
• Quase 96 mil chamados em 2023
A reportagem tentou contato com o Departamento de Saúde de Ponta Grossa, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos oficiais.

